Passaram-se alguns anos,como eu me encontrava em tal dúvida, o que não ocorre com meu amigo ateu,que sempre me afirmou que não precisava se aprofundar no assunto,pois não tinha dúvidas da superioridade de seu pensamento ateísta sobre a irracionalidade da fé;ao invés de apenas me ater a trechos selecionados aqui e acolá li e estudei 62 livros (li artigos mencionados nos mesmos,significado de termos,conceitos que não me eram claros,palestras disponíveis na internet de vários cientistas,etc.).Em sua maioria obras de cientistas sobre o universo,sua origem,cosmologia moderna,astronomia,biologia,astrofísica,física quântica, biologia molecular e também biografias de cientistas,obras de jornalistas especializados em ciências,teólogos,escritores céticos críticos da Bíblia e ou do deísmo.Especificamente quanto as obras científicas o requisito mínimo para minha leitura foi o autor ser um doutor no assunto. Sei que o número de livros parece meio exagerado,por isso os coloco á disposição de qualquer leitor interessado pois se encontram em minha estante. A propósito continuo estudando o assunto com algumas obras já selecionadas para a leitura. A leitura e o estudo dos temas destes livros me trouxeram uma visão da opinião de vários expoentes da ciência moderna quanto a existência de Deus e também do Deus bíblico,sendo que muitas destas opiniões consideram a fé lógica e racional,daí a razão deste meu apelo para ser conduzido á lógica e racionalidade que porventura eu não conheça.Não discorrei evidentemente sobre todos estes livros,mas mostrarei ao leitor as dúvidas que me assomaram e me levaram a este apelo. No entanto gostaria de começar colocando duas questões que creio serão importantes para a análise do todo. A primeira é que ao comentar um destes livros com meu amigo ateu,no caso a obra “ Ícones da Evolução”,de Jonathan Wells,a respeito das críticas deste doutor em biologia sobre a fragilidade da teoria da evolução,o mesmo se mostrou de certa forma surpreso que um cientista atual contestasse de forma veemente tal idéia,isto até o momento em que em uma consulta ás páginas do Google descobriu que o mesmo havia sido um seguidor da seita do reverendo Moon,após isso me disse que tinha mesmo achado interessante um doutor em biologia rejeitar a teoria de Darwin,mas após sua descoberta sobre o que o Dr. Wells fazia fora da universidade,rotulou-o de fanático e que seu livro não poderia ser levado a sério(não ele não leu o livro). Ora,embora eu não seja um especialista em biologia,me considero um bom conhecedor de livros e da estrutura e apresentação de conteúdo,e posso assegurar que o livro é um primor de apresentação de uma tese científica com argumentos claros e variedade de referências,e uma vez que o Dr.Wells,PhD em Biologia pelas Universidade de Yale e pela Universidade da Califórnia,(duas das maiores instituições de ensino superior dos EUA),não menciona uma única opinião sequer sobre religião ou Deus(cujo vocábulo não aparece em nenhuma página do livro),minha racionalidade e lógica,me levam a entender que ainda que ele fosse um sacerdote da seita dos adoradores do bule voador de Bertrand Russel,se ele não tratasse deste assunto e seus argumentos no livro fossem consistentes,não obstante despertarem discordância entre outros cientistas,mas se sustentarem como científicos,como o são,por que sua tese tem menos valor devido á sua crença? Será então que meu amigo ateu acha que Richard Dawkins não pode escrever defendendo a teoria da evolução,por ser um reconhecido ateu militante,que faz campanhas de ônibus circulantes em favor do ateísmo, e pode ser que esteja sendo financiado por grandes organizações ateístas. Qualquer um que observe a militância de Dawkins percebe que o mesmo aparenta um verdadeiro ódio á idéia de Deus e da Bíblia,no entanto minha lógica e racionalidade me diz que ao escrever um livro de biologia pura,ele deve ser criticado não por ser ateu ,mas se outros cientistas discordam de seus argumentos.
A segunda colocação que gostaria de fazer para o leitor se refere á questão sobre o abandono do filósofo Anthony Flew que após anos de defesa e produção prolífica literária de apologia ao ateísmo, mudou sua opinião e escreveu “ Deus Existe”,se tornando notícia mundial veiculada pela agência internacional Associated Press como uma “bomba” afinal não é todo dia que um ícone do ateísmo,renega sua “fé”. Fiz questão de presentear meu amigo ateu com um exemplar,não com alguma idéia de que o mesmo seguisse os passos de Flew,mas na esperança de que isso o despertasse em que poderia haver alguma lógica e racionalidade na fé. E aqui está uma das razões da necessidade deste meu apelo para que eu seja conduzido á inteligência racional. É difícil de acreditar mas a conclusão dele(e diz que não tem dúvida disso,como se tivesse penetrado na mente de Flew) é que o filósofo nunca foi ateu,e o fato de seu pai ter sido um metodista e ele ter se convertido ao ateísmo aos 15 anos,é uma indicação cabal de que ele mentiu quando disse ser um ateu não obstante ter escrito obras de referência defendendo o ateísmo,como assim destacou a imprensa: “!Um professor filosofo britânico que tem sido um campeão em liderar o ateísmo por mais de meio século, mudou de idéia. Ele agora acredita em Deus, mais ou menos baseado em evidências científicas, e diz isso em uma entrevista em vídeo liberada quinta-feira 2 de dezembro de 2004. Aos 81 anos, depois de afirmar por décadas que a crença é um erro, Anthony Flew concluiu que alguma forma de inteligência ou primeira causa tem que ter criado o universo. "Uma super-inteligência é a única e boa explicação para a origem da vida e a complexidade da natureza".
A obra de Flew fala por si só,cerca de 38 livros entre eles Theology and Falsification, a publicação filosófica mais reimpressa no século XX. Flew recebeu o Prêmio Schlarbaum do Ludwig von Mises Institute por sua “destacada contribuição pela causa da liberdade de pensamento”.
Em maio de 2006, Antony Flew aceitou da Universidade Biola o segundo Prêmio Phillip E. Johnson pela Liberdade e Verdade. O prêmio, que leva o nome de seu primeiro contemplado, foi dado a Flew por seu “persistente compromisso com a livre e aberta investigação e com a resistência aos ataques da intolerância contra a liberdade de pensamento e expressão”.
Agora veja o leitor que a conclusão a que meu amigo chegou da senilidade de Flew,após não tenho dúvidas disso,ter consultado no google o seguinte trecho:” Em 2007, Flew lançou um livro intitulado "There's a God" (Existe um Deus), tendo o escritor Roy Varghese como co-autor. Logo após o lançamento, o jornal The New York Times publicou um artigo reportando que Varghese teria sido quase que inteiramente responsável pela redação do livro e que Flew sofria um acentuado estado de declínio mental, tendo grande dificuldade em recordar figuras chave, idéias e eventos relacionados ao tema do livro.O artigo provocou exclamações públicas em que Varghese foi acusado de manipulador. Varghese justificou suas ações, apoiado pelo editor, que divulgou um texto assinado por Flew, onde este reiterava a sua autoria das idéias constantes no livro, respondendo que em função de sua idade já avançada (84 anos na ocasião), o papel de um colaborador na redação do texto, não era apenas justificável como também necessário. Flew insistia ainda que a possibilidade de ser manipulado por alguém devido a sua idade era totalmente equivocada. “ (grifo nosso)
Eu sugeriria ao leitor a leitura da entrevista dada por Flew a Gary Habermas,onde Flew fala de sua mudança do ateísmo para o teísmo(atente bem,ele não se tornou um cristão,mas sim um teísta). Considerando tal material,e a conversa que ali se desenrola, qualquer pessoa que não aceitar que Flew,discorre suas idéias como uma pessoa inteligente e completamente no domínio de sua racionalidade;pra dizer o mínimo só pode estar de má fé.( (www.biola.edu/philchristi).
Quanto á colocação de meu amigo ateu de que Flew nunca foi um ateu de verdade,mas apenas ficou confuso devido a sua vida pregressa de “cristão” por imposição dos pais, qualquer pessoa lógica e racional concordará que é uma opinião lançada ao vento. Por exemplo,de acordo com tal raciocínio de meu amigo ateu sobre a “confusão” de Flew,eu posso até mesmo defender uma tese inédita,afirmando que Nietzsche jamais foi um ateu de verdade,mas pelo fato de seu avô e seu pai terem sido pastores luteranos,os quais estavam preparando Nietzsche,de acordo com seus biógrafos, para seguir a mesma profissão;o conhecido filósofo do bigode saliente,ficou revoltado,pois queria mais da vida do que dar mensagens em um púlpito,decidindo então descer a lenha em Deus. Em minha tese(e tenho completo direito a isso,segundo a tese de meu amigo) Nietzsche, não ficou gagá,até porque morreu jovem,e por isso não revelou a humanidade que no fundo cria em Deus,mas preferiu combatê-lo,por causa do trauma de sua infância,cujo pai queria impor-lhe o luteranismo. Ah,ninguém nunca falou isso? Mas eu tenho direito de lançar isso ao vento,e com fundamento para isso,se for seguida a mesma linha de pensamento de meu amigo ateu. Ou tenho de aceitar um peso e duas medidas?
(Ensaio de Mario Caldonazzo de Castro)
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